FILTRAGEM DE AR, ISO 16890

ISO16890

ISO 16890 vs. EN 779: a Metodologia que Mudou a Filtragem de Ar

O que significa, na prática, classificar um filtro por frações de partículas em vez de uma classe única

Durante mais de duas décadas, escolher um filtro de ar para um sistema de climatização ou ventilação era, sobretudo, escolher uma letra e um número: G4, F7, F9. Desde 2018, essa lógica deixou de ser a referência técnica correta. A norma EN 779:2012 foi definitivamente substituída pela EN ISO 16890, e a forma como se avalia, especifica e seleciona um filtro mudou de raiz — não apenas na nomenclatura, mas na própria metodologia de ensaio. Este artigo explica o que mudou, porque mudou, e o que isso significa para quem projeta ou especifica sistemas de tratamento de ar.

O que media a EN 779

A EN 779:2012 classificava os filtros de ar entre G1 e G4 (grosseiros) e M5 a F9 (finos), com base na eficiência média de retenção medida para uma única dimensão de partícula: 0,4 micrómetros. Este método, concebido há cerca de quatro décadas, tinha uma limitação estrutural relevante: não considerava o efeito da perda de carga eletrostática dos meios filtrantes sintéticos ao longo da sua vida útil. Um filtro classificado F7, com uma eficiência declarada de cerca de 80%, podia ver essa eficiência cair para 40–50% ao fim de alguns meses de utilização — sem que a norma exigisse que esse comportamento fosse comunicado. Os valores de laboratório, em suma, refletiam mal o desempenho real em obra.

O que trouxe a EN ISO 16890

A EN ISO 16890 abandona a lógica de uma classe única e passa a avaliar a eficiência do filtro em três frações de massa de partículas — ePM1 (0,3 a 1 µm), ePM2,5 (0,3 a 2,5 µm) e ePM10 (0,3 a 10 µm) — as mesmas frações que a Organização Mundial da Saúde e agências ambientais como a EPA norte-americana utilizam para avaliar a qualidade do ar ambiente. Um filtro é classificado no grupo ePM1, ePM2,5 ou ePM10 consoante a fração mais fina em que atinge pelo menos 50% de eficiência média; abaixo disso, é classificado como ISO Coarse, com base na retenção gravimétrica.

A diferença metodológica mais importante está no tratamento da carga eletrostática: cada filtro é testado antes e depois de ser submetido a uma descarga por vapor de isopropanol, que elimina artificialmente a filtração baseada em forças eletrostáticas. A classificação final resulta da eficiência média entre o estado carregado e o estado descarregado, arredondada para o múltiplo de 5% inferior mais próximo. Isto significa que a classe atribuída reflete um desempenho realista ao longo da vida do filtro, e não apenas o seu melhor momento em laboratório.

Comparação direta

AspetoEN 779:2012 (metodologia anterior)EN ISO 16890 (metodologia atual)
Base de classificaçãoEficiência para uma única dimensão de partícula: 0,4 µmEficiência em três frações de massa de partículas: ePM1, ePM2,5 e ePM10 (0,3 a 10 µm)
Classes / gruposG1 a G4 (grosseiros) e M5 a F9 (finos)ePM1, ePM2,5, ePM10 e ISO Coarse (grosseiros)
Efeito da carga eletrostáticaNão considerado — a eficiência inicial não refletia a perda de carga ao longo da vida útil do filtroFiltro testado antes e depois da descarga eletrostática (vapor de isopropanol); usa-se a eficiência mínima e a média
Relação com a saúde públicaSem correspondência direta com indicadores de qualidade do arAlinhada com as frações PM10 / PM2,5 / PM1 usadas pela OMS e agências ambientais
Seleção do filtro adequadoBaseada apenas na classe pretendidaApoiada num guia de seleção (Eurovent 4/23) segundo a qualidade do ar exterior e interior pretendida

Porque não existe uma tabela de conversão fiável

É tentador procurar uma correspondência direta — “um F7 é, portanto, um ePM1 65%” — mas essa equivalência não é tecnicamente rigorosa. A EN 779 analisa apenas uma fração dos dados de desempenho que a EN ISO 16890 avalia; dois filtros com a mesma classe antiga podem obter classificações diferentes na nova norma, consoante a sua curva de eficiência ao longo do espectro de partículas. Fabricantes e organismos do setor publicam tabelas de correspondência aproximada, mas alertam consistentemente para o facto de existirem diferenças significativas entre elas — pelo que devem ser usadas apenas como referência inicial, nunca como substituto de uma ficha técnica testada segundo a norma atual.

O que muda na prática, na fase de projeto

  • A seleção do filtro passa a poder basear-se na qualidade do ar exterior e interior pretendida para cada aplicação, com apoio do guia Eurovent 4/23, em vez de partir apenas de uma classe genérica;
  • Fichas técnicas e cadernos de encargos devem citar a classificação ISO (por exemplo, ISO ePM1 65%), já não G1–F9, que deixou de ter validade normativa;
  • Em equipamentos com filtros integrados — como Unidades de Tratamento de Ar — o software de seleção do fabricante deve estar certificado para a nova norma, e não apenas convertê-la a partir das antigas classes;
  • Programas de certificação independentes, como o Eurovent Certified Performance, ganham peso reforçado como garantia de que a classificação declarada corresponde ao desempenho real do filtro.

Uma mudança consolidada

Passados vários anos desde a transição, a EN ISO 16890 está hoje inteiramente consolidada como a referência normativa para filtragem de ar em ventilação geral na Europa — a EN 779 não tem qualquer validade normativa atual. Para quem especifica, instala ou seleciona sistemas de climatização e ventilação, o essencial é simples: qualquer referência a classes G1–F9 num projeto novo é, à partida, um sinal de desatualização a corrigir.

Referências

Eurovent 4/23 — Guia de seleção de classes de filtro segundo a EN ISO 16890

Freudenberg Filtration Technologies — ISO 16890 definitively replaces EN 779

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