Os Edifícios Saudáveis dependem muito da Qualidade do Ar que respiramos no seu interior. Este é um dos aspetos mais importantes para definir a qualidade do edifício e a forma como nos podemos manter saudáveis no seu interior.
Há necessidade de controlar a temperatura e a humidade ambiente e, muito importante, a qualidade do ar que respiramos no seu interior. Este último parâmetro, tão importante, tem perdido importância que merece nos últimos anos.
QAI – Qualidade do Ar Interior
ESTAMOS CERTOS DE QUE ESTA PROBLEMÁTICA SERÁ UMA DAS MAIS DOMINANTES QUESTÕES DESTE SÉCULO. NÃO A DEVEMOS ESQUECER!
A QAI – Qualidade do Ar Interior em Edifícios é um tema, fundamental para a qualidade do nosso edificado.
Em 2006 foi regulada, pelo Decreto-Lei nº 79-2006, o Regulamento dos Sistemas Energéticos de Climatização em Edifícios (RSECE), que incluía a vertente QAI – Qualidade do Ar Interior.
Esta regulamentação surgiu no momento em que muitos edifícios de serviços foram catalogados de “Edifícios Doentes”. O ar não era renovado, os contaminantes internos não eram medidos nem controlados, as manutenções dos sistemas não eram acauteladas. A limpeza dos sistemas era, na generalidade, esquecida.
Em 2006, a QAI passou a ser regulada por normas especificas, de implementação obrigatória, monitorizada através dos TRF – Técnicos Responsáveis de Funcionamento (técnicos acreditados pelo sistema de Certificação de Edifícios SCE) e validada através da Certificação da QAI, feita periodicamente por Peritos Qualificados.
Estávamos no princípio de uma mudança muito importante, numa altura em que os edifícios novos eram cada vez mais fechados. Estava definido um caminho que permitia controlar a qualidade dos edifícios de serviços em funcionamento, e que estes fossem Edifícios Saudáveis. Poderia obrigar algumas correções naqueles que comprometiam a sua qualidade do ar. Acautelava-se a saúde dos ocupantes desses edifícios. Definiam-se as regras e controlavam-se os processos para garantir o maior número possível de Edifícios Saudáveis.
Em 2013, com a revisão desta legislação, a QAI voltou a ser aligeirada e na generalidade esquecida e não controlada. Os Peritos QAI deixaram de certificar os edifícios, os Planos de Manutenção deixaram de ser feitos por engenheiros TRF e passaram a ser feitos por Técnicos de Instalação e Manutenção TIM III (com menos exigência na formação base), e na generalidade o controlo direto não é tão eficiente.
Edifícios Saudáveis – O que pode ser melhorado
Alguns passos podem ser dados para corrigir esta situação e prevenir que a poluição interna dos edifícios venha a afetar a saúde dos seus ocupantes.
Sabemos que muitos compostos químicos estão presentes no interior dos edifícios e, muitos deles, não são facilmente identificáveis. Neste contexto, é necessário abordar a QAI e os sistemas de climatização, com a importância que merecem, nomeadamente na monitorização dos seguintes aspetos:
- controlo da temperatura, humidade;
- controlo dos poluentes, físicos, químicos e micro-biológicos, nos edifícios;
- manutenção preventiva;
- programas de limpeza ajustados às instalações.
Complementarmente, na exploração dos edifícios, tem de haver mais atenção à manutenção e limpeza dos sistemas AVAC. Os fatores económicos têm comprometido metas legislativos e de saúde pública, associados à QAI.
Estamos certos de que esta problemática será uma das mais dominantes questões deste século. Não a devemos esquecer!
Mário Fernandes de Carvalho
