CUIDADO PORTUGAL

Crise na Europa
CUIDADO PORTUGAL !!! – Comentários de um chinês sobre a crise da Europa (2010)

 

O professor chinês de economia Kuing Yamang, ex-embaixador da China em Paris, numa entrevista dada em 2010 em que fala sobre a Europa, sugere-nos importante um momento de reflexão, sobre as dificuldades estruturais de uma globalização desequilibrada, que afeta o comportamento da economia europeia. Uma reflexão que merece ainda hoje a nossa atenção.

Transcrevemos aqui excertos dessa entrevista:

“1. A sociedade europeia está em vias de se autodestruir. O seu modelo social é muito exigente em meios financeiros. Mas, ao mesmo tempo, os europeus não querem trabalhar. Só três coisas lhes interessam: lazer/entretenimento, ecologia e futebol na TV! Vivem, portanto, bem acima dos seus meios, porque é preciso pagar estes sonhos …

2. Os seus industriais deslocalizam-se porque não estão disponíveis para suportar o custo de trabalho na Europa, os seu impostos e taxas para financiar a sua assistência generalizada.

3. Portanto endividam-se, vivem a crédito. Mas os seus filhos não poderão pagar ‘a conta’.

4. Os europeus destruíram, assim, a sua qualidade de vida empobrecendo. Votam orçamentos sempre deficitários. Estão asfixiados pela dívida e não poderão honrá-Ia.

5. Mas para além de se endividar, têm outro vício: os seus governos sangram os contribuintes. A Europa detém o recorde mundial da pressão fiscal. É um verdadeiro ‘inferno fiscal’ para aqueles que criam riqueza.

6. Não compreenderam que não se produz riqueza dividindo e partilhando, mas sim trabalhando. Porque quanto mais se reparte esta riqueza limitada menos há para cada um. Aqueles que produzem e criam empregos são punidos por impostos e taxas e aqueles que não trabalham são encorajados por ajudas. É uma inversão de valores.

7. Portanto o seu sistema é perverso e vai implodir por esgotamento e sufocação. A deslocalização da sua capacidade produtiva provoca o abaixamento do seu nível de vida e o aumento do… da China!

8. Dentro de uma ou duas gerações, ‘nós’ (chineses) iremos ultrapassá-los. Eles tomar-se-ão os nossos pobres. Dar-lhes-emos sacos de arroz…

9. Existe um outro cancro na Europa: existem funcionários a mais, um emprego em cada cinco. Estes funcionários são sedentos de dinheiro público, são de uma grande ineficácia, querem trabalhar o menos possível e apesar das inúmeras vantagens e direitos sociais, estão muitas vezes em greve. Mas os decisores acham que vale mais um funcionário ineficaz do que um desempregado…

10. (Os europeus) vão diretos a um muro em alta velocidade…”

É um ponto de vista controverso e provocador. Passaram 5 anos, mas vale a pena refletir o que pensava o “professor chinês” e como identificamos ou não essa realidade na nossa economia..

Climanet, 2015

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