Ar Condicionado e a Recirculação de Ar

Introdução

No contexto atual é necessário pensarmos nos sistemas de climatização com recirculação. Nenhum sistema de ar condicionado é responsável por vírus, mas poderão “transportá-los” de um local para o outro, e facilitar assim a sua transmissão. Infelizmente os filtros dos sistemas de ar condicionado convencionais não têm capacidade de reter, pela sua pequeníssima dimensão, os vírus. A situação de pandemia que tanto nos tem condicionado, torna importante esta abordagem.

Arejar e renovar o ar que respiramos

Falar de ventilação é falar de renovação do ar (trocar ar usado por ar novo). A ventilação natural ou mecânica dos espaços contribui para a redução dos contaminantes presentes no ar, e da carga viral no caso de uma contaminação. Por isso é conveniente arejar bem os locais, renovar o ar do espaço (com ar novo).

Já os antigos arejavam as suas casas – abriam janelas e portas para poder trocar o ar das habitações com ar exterior. Hoje os edifícios fecham-se e a solução é ventilar. A legislação assim o exige para grande parte do edificado. Mas será mesmo assim?

Um sistema de ar condicionado renova o ar?

Um sistema de ar condicionado pode ou não renovar o ar. A renovação do ar é um dos requisitos mais importantes a ter em conta, principalmente quando se está a tratar zonas com elevada ocupação. São necessários, por isso, projetos que definam a admissão de ar novo e exaustão do ar viciado, porque nenhum equipamento comum de ar condicionado renova o ar sem que lhe seja associado um sistema de ventilação.

Em Portugal, podemos encontrar espaços sem qualquer renovação de ar, espaços com alguma renovação de ar e espaços com a renovação de ar adequada. Mas há muitos poucos espaços em que os sistemas de ar condicionado não recorrem à recirculação.

Cuidado com a Recirculação

Todo o sistema de ar condicionado e ventilação que extrai o ar de um espaço ocupado e o volte a distribuir noutros espaços (recirculação) está a potenciar o transporte de contaminantes, normalmente presentes no ar, de um lado para os outros. Entre muitos outros, é o caso do Dióxido de Carbono devido à ocupação.

Não é recomendável, por isso, o recurso à recirculação de ar em locais fechados, num contexto de SARS-CoV-2. Ora sabemos que nem sempre é possível.

Adaptar os sistemas existentes?

Quando as temperaturas apertarem e se tornar inevitável utilizar os sistemas de ar condicionado que tenham uma grande quantidade de ar recirculado, é possível intercalar na conduta de retorno um módulo eletrostático combinado com luz UV-C. Um sistema destes permitirá aumentar significativamente a capacidade de filtragem do ar, mas simultaneamente promover a sua desinfeção (1).

Notas

  1. Embora não existam ensaios neste tipo de aplicação (2) para o SARS-CoV-2, acreditamos que o resultado possa ser bom. Existem no mercado uma gama de módulos eletrostáticos com luz ultravioleta UV-C para serem intercalados nas condutas de recirculação.
  2. Far-UVC light (222nm) efciently and safely inactivates airborne human coronaviruses, por Manuela Buonanno, DavidWelch, Igor Shuryak & David J. Brenner (https://www.nature.com/articles/s41598-020-67211-2.pdf)

Nota final

Cada caso é um caso, e deverá ser estudado por profissionais. Aconselhamos especial atenção à renovação do ar dos espaços, à eficácia dos sistemas de filtragem do ar, e a uma cuidadosa manutenção e higienização dos sistemas de climatização.

Mário Fernandes de Carvalho

TECNICLIMA (www.tecniclima.pt)

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